Terça-feira, 3 de Janeiro de 2006

Um sonho de Natal

dog23.gifEra uma vez uma aldeia na Lapónia. Aí morava um cão chamado Alex. Alex era um cão cheio de sonhos, corajoso e curioso. O seu maior desejo era conhecer o Pai Natal. Ver de perto aquele que toda a gente adorava. O homem do trenó, das renas e das prendas. Resolveu aventurar-se pela neve fora. Foi a pé até às altas montanhas, onde se pensava poder encontrar o Pai Natal. Alex foi andando, andando andando... Passou-se uma semana e nada aconteceu. Não havia rastos daquele gorducho que ele tanto desejava ver, lamber as botas. O animal estava a desanimar. De pouco lhe tinha servido o esforço. Apesar do pêlo, tremia de frio. Olhava em seu redor. Lá do alto, tinha às suas patas uma paisagem magnífica. Branca. Fria. Linda! De repente ouviu um barulho que lhe pareceu ter vindo dos arbustos e, quase ao mesmo tempo, algo foi contra ele. Era um esquilo, desajeitado e divertido. Assustado, Alex perguntou: - Quem és tu? - Sou o Benardinho Esquilozinho e vim ajudar-te a chegar à casa do Pai Natal – respondeu o esquilo – Queres a minha ajuda? - Claro! exclamou o cão entusiasmado com a ideia de ter encontrado alguém que o poderia levar até ao Pai Natal. Talvez assim conseguisse, pensou. Agora é que não ia desistir. Enfrentando os fortes nevões, chegaram a um túnel. O esquilo explicou que aquele era o caminho que os levaria à casa do Pai Natal. Iniciarem a travessia. Alex não deixava de pensar na possibilidade de estar a cair numa grande armadilha, no frio que estava a sentir e na irritação que as brincadeiras do esquilo lhe provocavam. Afinal, aquela era uma missão importante. A meio do túnel foram inesperadamente atacados por um urso Polar. O esquilo fugiu, indo esconder-se num vão de umas velhas escadas. Alex vê-se sozinho, a lutar com um bicho enorme. Muito peludo e com uma força que o surpreendeu. Defendeu-se como pode e lá conseguiu libertar-se do urso. Parado em pleno túnel, ainda assustado e receoso de que o urso voltasse a atacar, não sabia o que fazer. Chamou pelo esquilo, mas este não respondeu. Abandonou-me, aquele mentiroso, pensava. De repente teve uma ideia. Quando tinha ido procurar comida, guardou algumas bagas num saco. Abriu-o com a ajuda das suas patas dianteiras. Da melhor maneira que encontrou, foi colocando bagas no chão até ao fim do túnel. O urso foi seguindo aquele trilho de bagas e Alex conseguiu empurrá-lo para fora do túnel. Mesmo assim estava desesperado. O seu amigo tinha desaparecido. O melhor era procurar a casa do Pai Natal. Lembrava-se que o Esquilo lhe tinha dado algumas indicações. Que ficava logo ali, à saída do túnel. Uns metros mais à frente, lá estava ela. Bonita, branca e com uma enorme árvore de Natal enfeitada com flocos de neve e enormes estátuas de duendes. Ao lado de uma das estátuas estava o trenó e as renas. Tudo lhe parecia fantástico. Finalmente! Alex decidiu entrar naquela fabulosa casa . A porta até estava aberta … Só que um enorme e asqueroso gnomo barrou-lhe a entrada. Alex comunicou, decidido, e nada disposto a que lhe estragassem a visita: - Eu vim aqui falar com o Pai Natal. É o meu grande sonho! - Não vai dar! Mesmo que fosse muito urgente! O Pai Natal anda muito ocupado com as prendas! – disse o duende. Alex irritado resolveu tentar entrar à força, mas como o duende era esperto e forte lançou-lhe um pó para o adormecer. Colocou-o numa caixa. Meio estonteado, Alex pensava que nuncairia ver o Pai Natal. Lembrava-se das lendas contavam que quando acabava o Natal, o Pai Natal desaparecia também. Só voltaria na época natalícia seguinte. Desejava que o Benardinho estivesse ali para o ajudar. Não percebia onde é que o esquilo se tinha enfiado. Um medroso! Assustou-se com o urso e fugiu. Nem uma ajudinha … - Alex, és tu? – ouviu uma voz que lhe pareceu conhecida. - Sim, sou eu! Mas tu quem és? - Espera um segundo! - pediu a voz misteriosa Ouviu-se um ruído e uma caixa abriu-se. Era o seu amigo Benardinho Esquilozinho. - Desculpa ter fugido. Tive tento medo do urso. É que tive uma má experiência com ursos Polares. E o esquilo lá contou as suas aventuras com ursos, ao mesmo tempo que pedia desculpa. - Sim! Olha, podes-me ajudar a derrotar o duende? É que não sei o que fazer! O esquilo como era pequeno e ágil. Pegou numa bola de futebol e pontapeou-a para junto da porta. O duende parecia hipnotizado com tal brinquedo. Nunca deveria ter visto uma … Então o Pai Natal não oferece bolas às crianças!? O seu guardião nunca visto nenhuma? Parecia-lhe estranho. Então, lembrou-se de ter ouvido o seu dono a ler a carta que tinha escrito para o Pai Natal. De facto, não pedinchava bolas … O que ele queria era uma playstation, um leitor de mp3 e coisas assim. Não sabia o que eram, mas não tinha qualquer importância. Alex roubou o pó mágico à criatura e adormeceu-a. Estava orgulhoso do seu faro que o tinha ajudado. Puderam, finalmente, entrar na casa do Pai Natal. Já era dia vinte e quatro de Dezembro, o Natal aproximava-se. A meia-noite estava a chegar e Alex não conseguiu ver o Pai Natal. Mais uma grande desilusão. Para onde terá ele ido? Perguntava. À porta de uma das divisões da casa surge um vulto. Um homem já idoso, de barbas brancas, vestido de vermelho. Ficou sem palavras a olhá-lo. O homem olhou para o cão e virou-se. - Desculpe, não se vá embora. Eu sou um cachorro, eu sei. Só queria conhecê-lo! Não se vá embora. Por favor! - Calma! Eu sei. O teu amigo contou-me tudo. Por isso tenho este osso para ti. Ah! E uma grande festinha. Pode ser? - Sim! Depois deste gesto tão carinhoso, o Pai Natal levou-o de volta à sua aldeia, onde os outros cães, gatos e ratos aguardavam que Alex regressasse da sua aventura. Todos acreditavam que ele conseguiria. Afinal, sempre fora o cão mais irrequieto do grupo. Alex contou tudo. Por onde tinha viajado. O que lhe tinha acontecido. Estavam maravilhados. Alex era um herói Também eles ficaram a conhecer o Pai Natal. O Natal, afinal, é para todos. Ou deveria ser...

 Joana Martinho

Conto de Natal

publicado por Clube às 18:47
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