Terça-feira, 3 de Janeiro de 2006

Roubo do Natal

noel2.jpg Um dia na Lapónia, mais precisamente na oficina do Pai Natal, estavam dois jovens amigos a conversar: - Pedro, achas que eu posso chegar a gerente da contabilidade, pergunta Rafael. - Não sei... - responde o Pedro – Se trabalhares muito,consegues. - Talvez sim...- acrescenta o Rafael – E tu, quando é que chegas a secretário-geral? - Quando o patrão assim o quiser. De repente: - TRIM, a hora do café chegou ao fim, por favor sigam para os vossos postos - ordena a campainha - obrigado. Os dois jovens despedem-se e seguem cada um para o seu lugar, o Rafael para o seu gabinete de contabilidade e o Pedro para o seu lugar de secretário. Mais tarde, o Rafael avista o Pedro ao longe e chama-o. Pedro ouve-o e vira-se para ele. Rafael vai ao seu encontro e pergunta-lhe se lhe pode dar boleia. Pedro responde negativamente, desculpa-se dizendo que tem assuntos urgentes a tratar. Pedro pergunta se o companheiro estava aborrecido com ele, ao qual o Rafael respondeu que não, acrescentando que talvez ficasse na oficina durante mais um bocado. Pedro pareceu nervoso quando o aconselhou ir para casa descansar. Rafael comentou que era rápido e que se iria logo embora. Pedro afastou-se e Rafael ficou a pensar no porquê de tanto nervosismo. Que preocuparia o amigo? Não ligou muito, pois estava mais preocupado em terminar o trabalho. Um pouco depois ouviu-se o toque de emergência. Segundo o quadro dos alarmes que estava na sala onde o Rafael se encontrava, algo tinha acontecido no gabinete do patrão, o Pai Natal. Rafael dirigiu-se a correr para o gabinete, sem saber o que iria encontrar. Quando chegou, viu quatro homens encarapuçados a raptar o Pai Natal. Ele tentou impedi-los, mas os raptores saltaram pela janela caindo em cima de uma mota que, no exterior, os aguardava. Os raptores tinham tudo bem preparado. O Rafael decidiu segui-los. Aquilo não podia acabar assim. Sem muito pensar, agarra numa motocicleta que estava estacionada em cima do passeio, apesar de não saber de quem era. Inicia-se, então, a perseguição a alta velocidade. Os raptores começaram a lançar umas bombas muito estranhas, ovaladas e com muitas cores. Uma delas acertou no pobre jovem, deixando-o inconsciente. Dois dias depois, o Rafael acorda numa cama de hospital todo dorido. Chama por alguém, mas ninguém lhe responde. Ele continuou a gritar até que apareceu uma bonita enfermeira pela qual ele ficou completamente apaixonado. Rafael perguntou-lhe o nome e quis saber a razão de estar ali. Rafael não se lembrava do que tinha acontecido e não percebia o motivo de estar numa cama de hospital. A enfermeira respondeu que se chamava Inês e que não sabia muito bem o porquê dele estar hospitalizado, acrescentando que a única coisa que sabia era que o Pai Natal tinha sido raptado. Uns bandidos, comentou. Que ele tinha sido encontrado perto do lugar onde acontecera crime… e que estavam dois homens à entrada do quarto para falar com ele. A enfermeira saiu e mandou-os entrar para o quarto. Eles informaram que eram da polícia e que precisavam que ele lhes contasse tudo o que sabia. O Rafael contou toda a história de que se lembrava. Esforçou-se, pensou e lá foi dizendo umas palavras. O bastante para ajudar a reconstruir o rapto, perguntou se era preciso mais alguma coisa, ao que os dois homens responderam que a única coisa que necessitavam era que o Rafael estivesse sempre disponível para qualquer situação. Os indivíduos saíram sem deixar contacto. Uma semana mais tarde, depois daquela confusão ter acalmado, Rafael procura o amigo. Sem sucesso, pois não o encontrava em lado nenhum. - Talvez ele esteja de férias - magicou o Rafael – O melhor é consultar o registo de férias do pessoal da oficina. Rafael dirigiu-se para o local onde estava a estante com o dossiê. Abriu-o, para procurar o mapa. Mal o abriu, um papel caiu. Parecia ter sido ali posto à pressa, já que não estava arquivado. Apenas atirado para dentro da pasta. Rafael ficou muito confuso e, também, muito preocupado com o amigo. Não percebia o que estava a acontecer. Tanto desespero, tanta vontade de fugir. Um bilhete de avião para Itália marcado para dali a dois dias… Porquê? Rafael estava cada vez mais confundido com estes acontecimentos. Ele resolveu procurar o amigo, indo a casa dele. Talvez tivesse sorte, talvez estivesse em casa. Em vão! Uma tabuleta colada à parede, anunciava uma decisão precipitada. Desastrada, pensou: Vendido Rafael não queria acreditar. Afinal aquele bilhete não era mentira… De que fugiria o amigo? Por mais que pensasse, não encontrava respostas para as suas perguntas, angústias, medos, … - O melhor é segui-lo! Vou para Itália, decidiu. Apanhou o avião. As preocupações acompanharam-no durante uma viagem de cerca de três horas. Tudo correra bem. O medo de voar fora superado pela vontade de encontrar o amigo. De Itália só sabia de futebol. No jornal que lia habitualmente, tinha o hábito de procurar, de imediato, notícias do calcio ... Até agora, nada mais lhe interessava … Em Itália, alojou-se em Roma. Grandiosa cidade. Mas foi a língua, o que mais o fascinou. Sim, a beleza daquela cidade era inigualável, Mas o italiano … A musicalidade, o ritmo, os gestos, … As discussões pareciam-lhe música. Clássica. Talvez uma opereta … Procurou imediatamente o seu amigo. Esse era o verdadeiro objectivo da sua presença no país transalpino. Após algumas semanas de busca. Por ruas e ruelas, bairros e roupa branca estendida nas varandas, ele encontrou finalmente o Pedro. Perguntou-lhe o que tinha acontecido, porque tinha fugido… As perguntas eram mais rápidas do que o pensamento. Queria saber, entender tudo. Pedro respondeu, calmamente, que tinha recebido uma grande proposta de trabalho, não a pormenorizava já que julgava ser um grande aborrecimento. A casa! Vender uma casa tão bonita, bem situada … A escritura, o contrato de venda, qualquer coisa! O Rafael afastou logo a hipótese de Pedro estar envolvido no assalto. A escritura da casa foi feita à mesma hora do que o rapto. Sentiu-se aliviado. Não, o amigo não podia estar envolvido no rapto. Não podia! Era seu amigo … a escritura provava-o. Rafael precisa tanto daquele álibi. Rafael deixou Itália. Não ter encontrado nenhuma prova, nem nenhuma pista que incriminasse o amigo deixava-o satisfeito. Ainda bem, pensou. Voltou á Lapónia. Mal chegou viu os dois policias á sua espera no aeroporto. Não percebia tanto zelo, nem pressa. Muito menos entendia como tinham sabido da sua chegada. Rafael teria de ir falar com o chefe imediatamente, informaram. Os agentes conduziram-no para o carro. Chegados, Rafael não conhecia o local, nem o percurso que acabara de fazer. Ficou muito confuso, surpreendido: estava aquilo na base da secreta S.P.N.( Segurança do Pai Natal ). Porquê? Talvez viesse a descobrir … Entraram no edifício e foram logo ter com o chefe. Conversaram durante algum tempo. Rafael não falava. Não era capaz … tinha-lhe sido apresentada uma proposta de trabalho. Estranha, muito estranha, mas fascinante: líder da operação ‘’Salvem o Pai Natal’’. Rafael aceitou, perguntando porquê ele. Foi-lhe dito que ele tinha seguido uma boa pista, que ajudara muito … Sem mais pormenores. A missão era ultra-secreta. A S.P.N. mostrou-lhe todas as pistas encontradas, a da bomba em forma de ovo da Páscoa. Rafael pensou que talvez o Coelho da Páscoa tivesse o Pai Natal. Era necessário encontrá-lo. Rafael, já na sua nova função, enviou espiões á procura procurar do Coelho da Páscoa. Alguns dias depois, os agentes conseguiram localizá-lo. Estava em Portugal, num velho edifício junto ás docas de Lisboa. Rafael correu para o prédio gasto pelos anos, levando todas as tropas da S.P.N. em Portugal. A luta foi muito complicada. Os homens do Coelho da Páscoa eram em maior número e tinham armas tecnicamente superiores, especialmente as bombas da Páscoa. O combate foi horrível. As baixas eram muitas. Os soldados, de ambas as partes, não resistiam … Afinal, Rafael tinha razão. O Coelho da Páscoa estava seriamente envolvido no rapto. Os únicos a sair de vivos desta luta feroz foram o Rafael e alguns soldados. Rafael voltou de imediato à sede de Lisboa. Ao responsável comunicou o sucedido. Tinha conseguido ver o Pai Natal, comunicou. Era preciso ir buscá-lo. Não havia tempo a perder, gritava. Dos espiões recebeu a informação que os soldados do Coelho da Páscoa se tinham transferido para outro local nos arredores de Lisboa, para Sintra. Não foi difícil encontrar o armazém onde o raptor estava. Os espiões tinham feito o seu trabalho muito bem. O ataque estava prestes a começar. A vida do Pai Natal era muito importante, tudo tinha que ser feito com o máximo de cuidado. De repente, surge uma outra brigada. Vinham ajudar o Rafael. O comandante era o Pedro. Por segundos nada parecia fazer sentido. O Pedro? Aqui? Toda a história que o Pedro tinha contado era mentira. Depois de despedido, Pedro entrara nos os Serviços Secretos Mundiais. A luta foi renhida. A batalha foi ganha. Pedro, Rafael e o Pai Natal regressaram a casa. Uma grande multidão acolheu-os com muito entusiasmo e gratidão. Rafael dirigiu-se, sem demoras, à sua amada. Declarou-se, disse-lhe que a amava. Inês corou e retribui-lhe o sentimento. O beijo tornou-se obrigatório. O Natal foi um êxito, as prendas foram entregues, o Pai Natal continuou cumprir a sua missão. Rafael e Inês casaram e tiveram dois filhos, um chama-se Pedro, o outro chama-se Natal.

No corrente ano não há Páscoa, anunciou. O Coelho da Páscoa vai ficar preso! Tem que aprender a respeitar as outras celebrações … Mesmo que não goste, mesmo que não goste ...

Filipe Teixeira (Expressão escrita: Contos de Natal)

Alverca, 4 de Janeiro de 2006

                                                                Coelho da Páscoa

                                                                Prisão da S.P.N.

                                                               sela 254 2349-299 Alto-do-Monte

 Caro amigo,

Espero que esteja tudo bem por aí. A minha professora fartou-se de rir, quando leu o texto que eu escrevi, sobre aquela barbaridade que fizeste sem me contares nada. Que disparate o teu. Agora estás a pagar. Não se rapta o Pai Natal em vão! Então e a prisão? Tem sido muito doloroso estar aí? Já deves ter feito muitos amigos, não? Tens também de me contar quanto tempo vais estar preso e para onde vais quando voltares para a festa. Contaram-me que o teu armazém foi confiscado. Sem Páscoa para celebrar, como vais viver? Por aqui vai tudo calmo. Eu tive umas notas mais ou menos. Tiveste uma boa passagem de ano? Eu cá tive!!

A escola começou na segunda-feira. Agora há muito para fazer. Espero que tenhas um bom ano 2006, apesar do que fizeste.

Aguardo notícias tuas o mais depressa possível.

Cumprimentos

Filipe Teixeira                                                                         

publicado por Clube às 21:24
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1 comentário:
De Filipe Teixeira a 4 de Maio de 2007 às 21:47
Este texto daria um bom texto dramático se fosse adaptado. Se fosse transformado em texto teatral, até parece que já estou a ver, O Roubo do Natal cabeça de cartaz!

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