Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Conto popular: Quem conta um conto ...

O conto é um tipo de narrativa que se opõe, pela extensão, quer à novela, quer ao romance. De facto, é sempre uma narrativa pouco extensa e a sua brevidade tem implicações estruturais: reduzido número de personagens; concentração do espaço e do tempo, acção simples e decorrendo de forma mais ou menos linear.

Embora o conto seja hoje uma forma literária reconhecida e utilizada por inúmeros escritores, a sua origem é muito mais humilde. Na verdade, nasceu entre o povo anónimo. Começou por ser um relato simples e despretensioso de situações imaginárias, destinado a ocupar os momentos de lazer.

Dada a sua origem popular, o conto de que falamos aqui não tem propriamente um autor, entendido como um ser humano determinado, ainda que desconhecido. Na realidade ele constitui uma criação colectiva, dado que cada "contador" lhe introduz inevitavelmente pequenas alterações ("Quem conta um conto, acrescenta um ponto.").

Por outro lado, é bom ter consciência de que os contos populares com que hoje nos defrontamos são diferentes daqueles que, durante séculos, foram transmitidos oralmente de geração em geração.

Em primeiro lugar, porque o seu registo por escrito implicou necessariamente alguma re-elaboração.

Em segundo lugar, porque no acto de narração oral o código linguístico era acompanhado por outros códigos, variáveis de contador para contador e irreproduzíveis na escrita (a entoação, a ênfase, os movimentos corporais, a mímica...).

O interesse dos intelectuais pelo conto popular surgiu no século XVII, quando, em 1697, Charles Perraut publicou a primeira recolha de contos populares franceses, que incluía histórias tão conhecidas como "A Gata Borralheira", "O Capuchinho Vermelho" e "O Gato das Botas".

Esse interesse pela literatura popular acentuou-se no século XIX, com os trabalhos dos irmãos Grimm, na Alemanha, e Hans Christian Andersen, na Dinamarca.

Em Portugal destacaram-se nessa tarefa investigadores como Teófilo Braga, Adolfo Coelho, Leite Vasconcelos e Consiglieri Pedroso.

O próprio Almeida Garrett recolheu no seu Romanceiro numerosas narrativas em verso, que são afinal parentes próximos do conto popular.

in     http://www.projectodejersey.com/oqueeoconto.htm

Caracteristicas oralizantes

São vocábulos ou expressões presentes nos contos tradicionais que revelam uma linguagem oral.

Note-se que o conto popular ou tradicional é de autor anónimo e faz parte do vasto espólio da cultura popular, oral e tradicional que vem dos primórdios da nacionalidade. O conto popular é transmitido oralmente de geração em geração.

 

Relativamente ao conto popular convém demarcar algumas características distintivas:

  • é de tradição oral; por isso muitos têm marcas de oralidade, nomeadamente do registo popular (ex: vai nisto..., nisto..., lá vinha ele..., botou a fugir...);
  • Caracteriza uma certa arte da memória;
  • é património de todos (universal e intemporal)
  • revela o imaginário em contraposição com a realidade da vida (o que contribui para o conhecimento humano, exprimindo sonhos, anseios, necessidades, emoções e sentimentos);
  • o tempo e o espaço estão fora do tempo e espaço reais.

 FUNÇÕES DO CONTO POPULAR

 

  • são memória de um grupo;
  • apresentam modelos exemplares em situações dicotómicas (ex: bom/mau...)
  • veiculam valores (património universal e intemporal);
  • condicionam comportamentos/atitudes;
  • preenchem espaços de lazer (função lúdica).

     

       

      ESTRUTURA DO CONTO POPULAR

     

    Conflito dramático: ordem existente=>ordem perturbada=>ordem restabelecida

     Personagens: => vítima (objecto da perturbação);

    • vilão (sujeito da perturbação);
    • herói (sujeito do restabelecimento da ordem);
    • adjuvantes (pers. secundárias que ajudam o herói);
    • oponentes (pers secundárias que ajudam o vilão ou fazem oposição ao herói)

     

    TIPOLOGIA DO CONTO POPULAR

    Há vários tipos de textos que integram as características do conto popular: recorre a personagens anónimas, num tempo e espaço indeterminados;

    Conto:

  • Registo de língua

    0 registo de língua popular é aquele que mais se distancia da norma. É, regra geral, usado pelas camadas menos alfabetizadas da população, cujo vocabulário é muito simples e genuíno (tendendo para a omissão de sílabas na palavra) e a sintaxe é, por vezes, incorrecta. Utiliza?se em conversação e até em obras literárias que pretendem reproduzir a língua falada pelas classes menos instruídas.

    Tempo 

     

    O tempo, no conto tradicional, é geralmente indeterminado (“Era uma vez...”, “Naquele tempo...”, “Há muitos anos...”).

    O que importa não é a localização temporal dos acontecimentos, mas o modo como eles aconteceram.

    O passado para que o conto nos reenvia só interessa na medida em que atesta que a matéria a narrar já aconteceu e que, por isso mesmo, vale, sobretudo, pela sua exemplaridade.


    publicado por Clube às 20:00
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